Algo que se coloca “entre” e que “fere”, mas não necessariamente destrói.
Tempos em que o olhar não repousa.
A vida se tornou uma sucessão de estímulos, telas, vozes e pedidos de atenção.
Somos atravessados por informações que não escolhemos, desejos fabricados e imagens que não pedimos. E, nesse ruído contínuo, esquecemos que, um dia, a arte foi silêncio.
Interferências nasce desse choque.
É a fricção entre dois mundos que raramente se tocam: o espaço sagrado das obras que moldaram nossa sensibilidade e o território caótico da existência contemporânea.
A Leiteira, Johannes Vermeer (1657–1658)
A Cozinheira (2026)
O Filho do Homem, René Magritte (1964)
Face (2026)
A Morte de Marat, Jacques-Louis Davi (1793)
A Morte do Homem (2026)
As cenas clássicas revisitadas para expor as marcas, os vícios, as vaidades e as solidões do nosso tempo. Cada imagem é um distúrbio: um elemento intruso que fere, atravessa, desestabiliza. Uma presença que não deveria estar ali, mas está — assim como nós, sempre deslocados, sempre distraídos, sempre à beira de nós mesmos.
As obras da História da Arte se tornam espelhos quebrados onde vemos refletidas nossas ansiedades digitais, nossos consumos automáticos, nosso culto à performance, nosso medo do vazio.
As interferências não apagam o original: revelam novas leituras,
evidenciam nossas rachaduras, abrem espaços que antes estavam fechados. É no conflito que encontramos sentido. É no ruído que escutamos quem nos tornamos. Tensionar o presente a tal ponto em que ele nos devolva perguntas incômodas.
Mona Lisa, Leonardo da Vinci (1503)
Monai.sa (2026)
Moça com brinco de pérola, Johannes Vermeer (1665)
Moça com fone de prata (2026)
O Balanço, Jean-Honoré Fragonard (1767)
O Movimento (2026)
O que está entre o que fomos e o que seremos?
O que nos atravessa — e o que ferimos — ao existir?
Em Interferências, cada imagem é uma colisão. Uma linha de falha. Um atrito entre tempos, tecnologias e sensibilidades.
Porque estamos todos interferindo — e sendo interferidos — o tempo inteiro.
Direção, criação e edição
IAs usadas: Midjourney, Nano Banana Pro, Chat GPT, Suno e Udio
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